A Reforma Tributária simplifica o sistema, mas complica a vida das empresas.
- Foxcon Gestão Contábil
- 23 de dez. de 2025
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Reforma Tributária: por que a carga vai aumentar em muitas atividades — e por que o caixa será o maior problema
A Reforma Tributária foi apresentada como um projeto de simplificação e neutralidade. No discurso, a substituição de vários tributos por um IVA dual (CBS e IBS) reduziria distenções e tornaria o sistema mais justo.Na prática, porém, muitas empresas enfrentarão aumento real de carga tributária e forte pressão sobre o fluxo de caixa.
O problema não está apenas na alíquota nominal. Está na forma como o imposto será cobrado, creditado e pago.
Onde a carga tributária tende a aumentar
Diversas atividades hoje tributadas de forma mais leve no PIS, Cofins, ISS ou ICMS passarão a sofrer incidência mais ampla do IBS e da CBS.
Isso afeta especialmente:
• prestação de serviços (consultorias, saúde, tecnologia, profissionais liberais);
• empresas intensivas em mão de obra;
• negócios com baixo consumo de insumos creditáveis;
• atividades hoje beneficiadas por regimes especiais ou incentivos estaduais;
• empresas no Lucro Presumido e Lucro Real com margens ajustadas.
Essas atividades não conseguem gerar crédito suficiente para compensar o imposto devido. O resultado é simples: pagam imposto cheio sobre a receita, elevando a carga efetiva.
O problema estrutural do crédito
O IVA só é neutro quando o crédito é amplo, imediato e recuperável.No modelo brasileiro, muitos custos não geram crédito ou geram crédito limitado.
Exemplos comuns:
• folha de pagamento;
• pró-labore;
• aluguéis;
• serviços terceirizados;
• despesas administrativas.
Quando o crédito não acompanha o débito, a carga aumenta mesmo sem aumento formal de alíquota.
O impacto direto no fluxo de caixa.
Além da carga maior, há um problema ainda mais sensível: o caixa.
Com o IBS e a CBS:
• o imposto nasce no momento da venda;
• o crédito pode depender do pagamento ao fornecedor;
• o split payment pode retirar o imposto diretamente do recebimento;
• a empresa deixa de “girar” o valor do tributo no caixa.
Na prática, a empresa:
• recebe menos dinheiro líquido;
• precisa de mais capital de giro;
• sofre descasamento entre entrada e saída;
• perde margem financeira.
Para negócios com ticket médio baixo e alta rotatividade, isso pode inviabilizar operações.
Consumo e renda sendo pressionados ao mesmo tempo
A reforma do consumo ocorre junto com:
• tributação de dividendos;
• tributação mínima de alta renda;
• revisão de regimes considerados “benefícios”.
Ou seja, a empresa paga mais no faturamento e o sócio paga mais na renda. É uma pressão dupla sobre o mesmo negócio.
Conclusão prática
A Reforma Tributária não será neutra para todos.Ela favorece empresas organizadas, com estrutura de crédito, capital de giro e planejamento.
Quem não:
• revisar preços;
• simular impacto real;
• ajustar contratos;
• planejar o caixa;
pode pagar mais imposto sem perceber — até sentir no resultado.
👉 A Foxcon acompanha a Reforma Tributária com análise técnica, foco financeiro e proteção empresarial.
👉 2026 será o ano em que a contabilidade deixa de ser operacional e passa a ser decisiva.
Aviso legal: Conteúdo exclusivamente informativo. Não substitui orientação jurídica ou tributária específica.




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